Aqui está Deus

Contam-nos que, há muitos anos, quando ainda não existiam mapas exatos, os navegadores desenhavam cartas para descrever o que havia além dos horizontes dos mares longínquos.

Nessas cartas, se esboçavam vastas extensões de águas ainda inexploradas, sobre as quais os antigos geógrafos haviam escrito legendas estranhas, tais como: “Aqui há dragões”, “Aqui há demônios”, ou “Aqui há sereias”.

Uma dessas cartas chegou às mãos de um mestre de navegação que era crente devoto. Irritado com o que lera nela, riscou as legendas supersticiosas e, em seu lugar, escreveu, em traços decididos: “Aqui está Deus”.

Isso nos recorda um caso registrado nos evangelhos. Os discípulos haviam passado uma noite de pavor no mar da Galiléia. Seu pequeno barco fora jogado para lá e para cá pelas ondas agitadas.

Antes do amanhecer, avistaram um vulto sobre as águas. O vulto avançava em direção ao barco. Gelados de terror, exclamaram o que era sua convicção unânime:

– É um fantasma!

Em seu pavor, imaginavam ver um espírito vingativo do mundo invisível, disposto a destruí-los.

Enquanto ainda se encolhiam horrorizados, ouviram, repentinamente, a voz traqüilizadora de seu conhecido Amigo, que vinha andando sobre as águas enfurecidas: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais!” (Mateus 14.27).

Todos estamos fortemente inclinados a seguir o exemplo dos marujos supersticiosos da antigüidade ou o exemplo dos aterrorizados discípulos do Senhor. Quando a vida se torna difícil, quando nuvens de tempestade começam a castigar o frágil barco de nossa vida, apenas sabemos ver demônios, dragões e fantasmas — todos unidos em conspiração infernal para destruir-nos.

Rapidamente esquecemos a bendita certeza da fé cristã de que, em meio a todas as tormentas que sobrevêm ao filho de Deus, não está um dragão, um demônio ou um fantasma — e, sim, um Senhor amoroso.

Por escura que seja a noite, por grandes que sejam os vagalhões, por forte que sopre o vento, a voz que fala ao coração do crente ainda é a mesma: “Sou eu. Não temas!”

Em dias de dúvida ou depressão, enfermidade ou tristeza, derrota ou desespero, peçamos força ao Senhor. Risquemos, com traços decididos e corajosos, a legenda que diz: “Aqui há demônios”, e escrevamos, com traços igualmente decididos e corajosos: “Aqui está Deus!”

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