Intérpretes ou Ministros??????

Bem…. dando continuidade às discussões acerca do trabalho ministerial nas igrejas, venho levantar uma questão bem existencialista do nosso trabalho, da famosa duvida eterna do ser humano sobre quem somos, o que somos, por que somos, e todos os outros pronomes interrogativos existentes. E aí? O que realmente somos quando levantamos do banco e nos dirigimos a frente da igreja para podermos sinalizar? Meros intérpretes??? Creio que não.

Acho incrivelmente mais simples interpretar uma palestra acerca de genética ou filosofia hindu, do que sinalizar um hino, um simples louvor. Parece estranho não? Mas é verdade. Pelo menos deveria ser. Devemos nos sentir muito mais a vontade indo interpretar em uma reunião na ONU do que ao fazer um “simples” hino de igreja.

Desculpem-me pelo exagero, mas é assim que me sinto, e apenas aqueles que realmente estão se doando no trabalho ministerial entenderão o que vou dizer agora. Somente aqueles que realmente acreditam naquilo que estao “interpretando” me darão razão.

Volto a dizer que os dois principais vilões de todo ministro de Libras (isso mesmo Ministros, nao mais interpretes) são a rotina e o comodismo. Encarar um lovor como sendo apenas mais um louvor, ou uma mensagem sendo apenas mais uma mensagem demonstra que estamos chegando no fundo de abismo, que nós mesmos cavamos. O motivo é simples: existe um grupo de pessoas que simplesmente DEPENDEM da sua sinalização para poder entender e desenvolver sua fé, suas convicções e todo o resto. Deixe-me ilustrar:

Suponhamos que em um domingo pela manhã você esteja simplesmente morrendo de sono mas vai para a igreja, simplesmente pelo fato de já ter se tornado um hábito. Você chega, senta nos bancos de trás e simplesmente se entrega em seus pensamentos e não dá a mínima pra o que estão dizendo lá na frente. Tudo bem. Afinal, as pessoas que estão ao seu lado entenderam muito bem o que o pregador disse, receberão o que vieram buscar. Pelo simples fato de que elas não dependiam de você para nada. Mas se nessa mesma manhã de domingo, você estivesse interpretando, simplesmente pelo fato de isso ter se tornado um hábito. Se você simplesmente tivesse agitado as mãos lá na frente, sem nem ao menos tentar passar um décimo da emoção que o pregador estava passando. Não teria um grupo de pessoas que simplesmente perderam seu tempo indo a igreja, já que nem ao menos entenderam tudo o que foi falado, já que foi falado com tanta má vontade? Não é mesmo?
.
.
.
.
.
.
.
.

.
.
.
.

.
.
.
.
.
.
.
 levantei a questão de não sermos mais apenas intérpretes e sim ministros. O motivo é simples, lá na frente quando estamos “interpretando” somos nós que estamos pregando. Somos nós o intrumento de Deus para tocar e falar ao coração do surdo. Então me leva a questionar se estamos tendo o mesmo preparo que o “outro ministro” tem na hora de pregar.
Será que nos preparamos antes para ministrar? Será que nos encaramos verdadeiramente como ministros?
.
.
Me permita lhe fazer apenas uma pergunta: Você se preocupa mais em acompanhar o preletor ou em realmente dizer algo ao surdo???
.
.
Muitos intérpretes se preocupam exageradamente com o tempo. E isso só atrapalha. O que importa para o surdo se o preletor já acabou de falar e você continua sinalizando? Isso só mostra que você está muito mais preocupado com ouvintes e outros intérpretes do que com o surdo. Acho incrível como alguns intérpretes de tão preocupados com o tempo, mal esperam o preletor falar uma frase completa e já saem interpretando. O resultado é um desastre. Depois precisam ficar se corrigindo já que ao tentarem acompanhar foram surpreendidos por uma idéia oposta inserida no final da sentença.
.
.
O mais incrível e cômico é quando tratamos exclusivamente das canções e dos louvores que por si só já são repletos de metáforas e sentidos figurados. O intérprete não deixa passar nem uma frase completa e já começa a interpretar algo que nem ele sabe o sentido ainda. Mas o ministro não se preocupa com o tempo. Ele deixa a música rolar até que ele entenda o que está dizendo para depois passar para o surdo. Porque é simplesmente impossível falar algo que nem você entendeu ainda.
.
.
Por isso, o primeiro conselho que dou: Tempo nunca deve ser sua preocupação principal. Se preocupe mais em se fazer entedido do que se encaixar no tempo. Lembre-se: português e libras são duas linguas incrivelmente diferentes e que, consequentemente, também requerem um tempo diferente para dizer a mesma coisa. Então esqueça o tempo: seu foco é o surdo, não o relógio.
.
.
Com isso encerro o primeiro post do dia. Vamos ao outro.

Anúncios

Um comentário em “Intérpretes ou Ministros??????

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s